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Operação combate sonegação de produtores de grãos no Paraná e outros sete estados
A operação tem como objetivo desmantelar um milionário esquema de sonegação de tributos comandado por corretores de milho, soja e feijão
Por Bem Parana | Postado em: 10/03/2020 - 14:08

Uma operação de combate a um esquema milinário de sonegação de impostos é realizada, nesta manhã de terça-feira, 10, em oito estados do Brasil e no Distrito Federal (DF). A ação é coordenadao pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), são cumpridos 109 mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo bancário e de comunicação, sendo 73 em Minas. Dois destes mandados são cumpridos no Paraná. 

A  operação tem como objetivo desmantelar um milionário esquema  de sonegação de tributos comandado por corretores de milho, soja e feijão,  envolvendo  dezenas  de  empresas  noteiras  situadas  em diversos estados da federação. Batizada de "Quem viver verá”, a operação é uma força-tarefa que envolve as Receitas Estaduais e Federal, o Ministério Público e as polícias Civil e Militar.  Segundo o MPMG, o objetivo da ação é recuperar aos cofres públicos milhões de reais sonegados no setor de grãos.

São cumpridos mandados em Minas Gerais: 73 alvos; Goiás: 15; São Paulo: 9; DF: 5; Paraná: 2;  Bahia: 2; Rio de Janeiro: 1; Rio Grande do Sul: 1e Tocantins: 1.

Entenda o esquema 

Denominada  “Quem  Viver Verá”, a operação é a 2ª fase de um trabalho iniciado  em 2017 pela Equipe de Combate a Fraudes da Receita Federal (RFB) em  MG, visando combater a “farra da nota fria”no setor de grãos do estado. À  época,  foi  identificado  um  significante polo de noteiras de grãos na região  de Unaí e, após um minucioso trabalho de mapeamento dessas noteiras e  das  pessoas a elas relacionadas, foi deflagrada, em novembro de 2018, a Operação Ceres, nas cidades de Unaí, Paracatu, Guarda-Mor, Belo Horizonte e Contagem,  além  de Formosa, em Goiás, e São Paulo, capital.

Visava-se, com isso,  combater uma verdadeira organização criminosa, envolvendo produtores  rurais, contadores, operadores de empresas de fachada e empresários, que há anos  fraudavam os fiscos, com uma movimentação estimada de R$ 1 bilhão por ano em notas frias.

A partir do extenso material apreendido na Operação Ceres bem como de denúncias  espontâneas  e acordos de colaboração premiada firmados entre os alvos da operação e o Ministério Público Estadual, foi possível identificar outras  empresas  noteiras, além de um novo e importante ator do gigantesco esquema  de  sonegação  tributária  no  setor  de  grãos de todo o país: os corretores  de  grãos.  Na  verdade,  em  parceria  com  as  indústrias, os  corretores  são os verdadeiros protagonistas que fomentam a proliferação de empresas noteiras.

Os   corretores   de  grãos  constituem  o  elo  central  do  esquema fraudulento, sendo eles os responsáveis pelas negociações com os produtores rurais  e  com  as  indústrias  adquirentes dos grãos (feijão, soja, milho, etc),  bem  como  por  demandar  às  noteiras  a emissão das notas fiscais, remunerando-as por esse “serviço”. Os corretores, portanto:

Vendem  facilidades aos produtores rurais que podem facilmente vender seus  grãos  sem  emissão  de  notas  fiscais  e  assim  sonegar seus rendimentos.

Compram  notas  fiscais  das noteiras, fornecendo-lhes todos os dados para  a  emissão  das  notas e remunerando os operadores das noteiras pela emissão das notas.

Blindam  as  indústrias adquirentes, beneficiárias finais do esquema, que  alegam  “boa-fé”,  comprovando  que: as negociações foram feitas através de orretores,  as  empresas  vendedoras  (noteiras)  eram empresas  regulares  no  cadastro  da  Receita  Federal,  efetuaram o pagamento  da  mercadoria adquirida nas contas bancárias das empresas vendedoras  (as  noteiras) e receberam o produto adquirido. Apesar de participarem ativamente do esquema, elas alegam “boa-fé” para que não sejam penalizadas com autos de infração.

A  Operação  Quem  Viver  Verá tem, pois, o objetivo de desmantelar a força  motora  do  gigantesco  esquema  de  sonegação  do  setor de grãos e recuperar  aos  cofres  públicos  bilhões  de  reais sonegados. As buscas e apreensões  e  as  quebras  de sigilo telemático e bancário, bem como novos acordos de delação, permitirão obter elementos que comprovem a participação ativa  dos  beneficiários  finais  do  esquema:  produtores rurais, grandes indústrias e os próprios corretores.

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