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Briga por cargos provoca crise interna na Assembleia Legislativa
Por Bem Parana | Postado em: 14/02/2019 - 07:59

A disputa por cargos na Mesa Executiva abriu a primeira crise interna na nova legislatura da Assembleia Legislativa. O confronto começou na terça-feira, depois que o deputado Plauto Miró Guimarães (DEM), que após oito anos perdeu o posto de primeiro-secretário da Casa, avisou aos colegas ter feito cópia de todos os documentos que tramitaram no Legislativo durante os oito anos em que ocupou o cargo. A reação veio ontem, quando o deputado de primeiro mandato, delegado Jacovós (PR), cobrou explicações de Plauto sobre a suposta ameaça velada aos colegas, afirmando que o parlamentar não pode guardar documentos públicos “como forma de pressionar ninguém”.

A primeira-secretaria é o segundo cargo mais importante da Assembleia, ficando abaixo apenas da presidência. O primeiro-secretário é responsável pela administração da Casa, incluindo verbas, contratos, além de ter o poder de nomear dezenas de cargos. Plauto ocupava o posto desde 2011, ainda durante a gestão do então presidente Valdir Rossoni (PSDB), e permaneceu no cargo após a eleição de Ademar Traiano (PSDB), em 2015. Na eleição para a Mesa Executiva da nova legislatura, porém, ele perdeu a vaga para o ex-líder do governo Beto Richa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSB) e acabou ficando com a 1ª vice-presidência.

“Vi muita coisa, escutei muita coisa. Tomei o cuidado, nesses oito anos de tirar cópia de todos os documentos que tramitaram na Assembleia Legislativa. Tenho em um pen drive. Tenho fora da Assembleia todas as informações destes oito anos, até mesmo por precaução”, avisou ele na terça-feira. “A gente sabe que dentro do poder público muitas vezes os papéis somem, desaparecem. Muitas vezes quando você precisa se defender, nem sempre de acusações de irregularidades, mas uma série de questões que possam acontecer, você precisa ter documentos que na administração ela pode ter sumido”, alegou o parlamentar.

Gulosos 
Na ocasião, Plauto também disse ter ter recebido muitos pedidos de deputados, e que conhece os mais “gulosos”, que pediam muito, mas não deu nomes. “Todos aqui sabem o que significa a palavra gulosos. Mas quero interpretar que quando o deputado fala de deputados gulosos certamente falava dos que têm mais apetite. Não quero crer que o deputado Plauto esteja falando que aqui na Casa tiveram deputados gulosos para outras questões não republicanas”, reagiu o delegado Jacovós ontem.

O parlamentar questionou também a frase em que Plauto disse ter visto e ouvido muita coisa na Assembleia enquanto foi primeiro-secretário. “O deputado não esclareceu se essas coisas eram lícitas ou ilícitas”, afirmou Jacovós, dizendo que assim como a imprensa, interpretou a fala de Plauto como uma ameaça aos colegas. “Se essas anotações são públicas, lícitas, elas devem estar disponiveis aqui na Assembleia. Se leva para casa, se guarda em pen drive, alguma coisa esquisita tem”, apontou. “Considerando que se tomou conhecimento de algum ato ilícito, algum crime ou ato de improbidade, como agente público tinha obrigação de denunciar na época, ou agora”, cobrou Jacovós.

O deputado do PR lembrou ainda que o Código Penal prevê pena de três meses a um ano para o crime de prevaricação, para “ ato cometido por funcionário público que usa seu cargo e poder para satisfazer interesses pessoais”. “Será que o deputado (Plauto) sofreu algum tipo de ameaça, constrangimento, de algum órgão? Se ele sofreu algum tipo de constrangimento e por isso guardou esses documentos, ele deve compartilhar isso com nós, deputados, para que nós possamos pedir providência”, defendeu.

‘Não estou inventando nada’, diz Plauto
Questionado pelos colegas, o deputado estadual Plauto Miró Guimarães (DEM) negou ontem que tenha feito ameaças ao dizer que guardou cópia de todos os documentos que tramitaram pela Assembleia Legislativa nos oito anos em que foi primeiro-secretário da Casa. “Daquilo que eu falei ontem, está tudo no portal da Transparência da Assembleia. É só gastar tempo que todas as nomeações, gratificações de servidores estão ali. E tem também os ofícios assinados pelos deputados pedindo nomeações”, alegou.

“Eu não estou trazendo nada demais aqui. Eu não estou inventando nada. Eu escaneei todos os atos. Eu tenho 36 mil processos. Desde que eu entrei na Casa”, argumentou Plauto, que demonstrou, porém, não ter se conformado por ter sido alijado do cargo, na eleição da nova Mesa Executiva, na qual o deputado Ademar Traiano (PSDB) foi reconduzido pela terceira vez consecutiva à presidência da Casa. “O presidente me chamou de louco. Eu não sou louco. Eu só não quero segurar a vaca para os outros mamarem”, afirmou.

Visivelmente constrangido com a discussão, Traiano tentou contemporizar. “Quero compreender o momento que o deputado Plauto está passando. Quero tranquilizá-los. Não há nada de irregularidades. Tudo é transparente. Prefiro acreditar nesse momento, e acho que esse episódio será superado muito em breve”, comentou.

O deputado Luiz Carlos Martins (PP) também comentou as declarações de Plauto. “O que foi falado aqui é muito sério e preocupante. As questões que o deputado Plauto levantou aqui são seríssimas”, avaliou. “Quem são os deputados gulosos. Será que (são gulosos) só na Assembleia ou avançam em outros poderes? Que tipo de apetite é este. Quem são? Todos queremos saber”, cobrou.

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