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Ação da PF barra plano para matar Moro e outras autoridades e prende 9 pessoas
Segundo investigação, PCC pretendia sequestrar e assassinar ex-juiz e promotor de SP
Por Bem Parana | Postado em: 23/03/2023 - 08:29

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (22) nove pessoas na Operação Sequaz, deflagrada para desarticular um plano da facção criminosa PCC que pretendia realizar ataques contra autoridades como e senador e ex-juiz Sergio Moro (União Brasil), e o promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gakiya, entre outros. Moro afirmou que foi informado sobre a investigação no fim de janeiro e recebeu reforço de sua segurança pela polícia legislativa e pelas polícias militares de São Paulo e do Paraná.

A força-tarefa mobilizou cerca de 120 agentes que foram às ruas cumprir 11 mandados de prisão – sete preventivas e quatro temporárias – em Mato Grosso do Sul, Rondônia, São Paulo e Paraná. O efetivo vasculhou 24 endereços ligados a investigados, apreendeu veículos de luxo e desfez o plano montado pela quadrilha.

O plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para assassinar Moro se baseava no método de “seguir e vigiar” o ex-juiz e membros de sua família para levantar informações que ajudassem a capturá-lo, segundo informou a PF. Os “quartéis” dos criminosos estavam localizados principalmente em São Paulo e no Paraná, onde Moro e sua mulher, a deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP), têm residência.

Além do senador, a facção também mirava o promotor Lincoln Gakiya. Em entrevista à Gakiya afirmou que o plano partiu do “setor de homicídios” do PCC, chamado “setor de sintonia restrita”. Segundo o promotor, os criminosos se referiam a Moro pelo codinome “Tóquio”, e alugaram casas e chácaras para executar os atentados. Esses imóveis seriam próximos a locais que as vítimas e suas famílias frequentam. Também havia uma “vigilância constante” das vítimas e de familiares.

Parede falsa
Segundo o ministro da Justiça, Flávio Dino, a operação da PF encontrou bunkers montados pelos criminosos nos locais onde foram cumpridos os mandados de busca e apreensão. Os espaços poderiam ser utilizados para guardar armamento ou, ainda, servir de cativeiro. Vídeos da Polícia Federal mostram agentes da polícia desvelando um desses compartimentos, uma parede falsa em uma casa pertencente a um dos investigados em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.

O ministro afirmou que a investigação trabalha com a hipótese de extorsão mediante sequestro, além de homicídio. Na tese do sequestro, o dinheiro extorquido poderia ser utilizado para tentar tirar Marcola da prisão.

No Senado

Em pronunciamento na tribuna do Senado, Moro pregou que a classe política e os órgãos de investigação não podem se ‘render’ ou ‘retroceder’ a ameaças e devem adotar ‘políticas rigorosas’ de combate às facções criminosas. “Se eles vêm pra cima da gente com uma faca, a gente tem que usar um revólver. Se eles usam um revólver, nós temos que ter uma metralhadora. Se eles têm uma metralhadora, nós temos que ter um tanque ou um carro de combate. Não no sentido literal, mas nós precisamos reagir às ações do crime organizado”, afirmou.

Retaliação
Na época em que era ministro da Justiça, Moro coordenou a transferência e isolamento de lideranças do PCC para presídios federais, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, principal mandante da facção. Já Gakiya integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e é responsável por uma série de investigações que atingem a facção há mais de uma década, e foi também ele, em 2019, que pediu a transferência de Marcola para o sistema penitenciário federal.

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